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19 de outubro de 2017 | 19:37Voltar

Em MG, governo investe em pesquisa e assistência técnica ao produtor de café orgânico

Imagem: Divulgação/Seapa

O café orgânico tem se destacado entre os agricultores mineiros e a prática, caracterizada pela sustentabilidade e pela proibição de defensivos agrícolas, tem recebido o apoio do Governo do Estado.

As ações são coordenadas pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e suas instituições vinculadas: Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

A Emater-MG trabalha prestando assistência técnica para tornar a propriedade apta à produção do café orgânico, além de repassar informações e tecnologias ao produtor. Já a Epamig, atua no melhoramento genético de mudas, na adubação adequada para cada propriedade e no controle de pragas e doenças. E, por último, a IMA lidera o Certifica Minas Café, programa de certificação do próprio Governo de Minas Gerais, que já se tornou internacional, contemplando o café orgânico e o convencional.

Segundo Bernardino Cangussu, coordenador técnico estadual de Cafeicultura da Emater-MG, apesar de o sistema orgânico de produção funcionar bem em alguns lugares, a variação do custo de produção pode desestimular os agricultores. Apesar disso, o preço final do produto orgânico a ser comercializado é um atrativo, sendo sempre muito superior ao convencional, quando devidamente certificado.

“O consumidor paga mais pelo selo orgânico, principalmente no mercado internacional, com destaque para os Estados Unidos, Europa e Japão”, explica Cangussu, ressaltando os principais destinos do café mineiro e nacional.

Para aumentar a aceitação do orgânico nos mercados, o coordenador reconhece que é necessário ser um produto diferenciado, mantendo a qualidade. Ele cita ainda que alguns microlotes conseguem vender uma saca de 60 quilos por R$ 2 mil, enquanto o café convencional custa em torno de R$ 480,00.

A média geral de preço do orgânico é 30% superior. “Eu vejo o orgânico com potencial muito grande de mercado, mas vejo também a adubação e o controle de pragas como desafios”, destaca Cangussu.

O presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais, Leonardo de Carvalho, destaca a importância do apoio da Epamig por meio das pesquisas e da Emater-MG na extensão rural. A entidade reúne 40 produtores do município de Poço Fundo, sendo que quatro deles cultivam o café orgânico.

“Temos o apoio dessas instituições do Estado e isso é muito importante. Tivemos, com ajuda da Emater, acesso ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para capacitação e também a produtores de outras regiões para nos unirmos na comercialização do produto, aquisição de insumos e busca das certificações”, afirma Carvalho.

Melhoramento

Desde 1998, 40 variedades de café foram trabalhadas pela Epamig, que possui um histórico respeitável no melhoramento do café produzido no estado e nas condições necessárias ao aumento da qualidade e da produtividade. O trabalho da Epamig passa pelo teste de variedades de mudas do café, que podem ou não se adaptar a um determinado lugar.

A adubação é um dos principais obstáculos para a agricultura orgânica, uma vez que precisa de fonte rica em nitrogênio, nutriente mais exigente e que não está disponível no mercado orgânico, ou seja, não é processado industrialmente e, por isso, precisa ser encontrado na natureza.

Já o potássio e o fósforo, que também são utilizados na cultura do orgânico, podem ser adquiridos no mercado e utilizados no plantio de café. O nitrogênio é o responsável pelo crescimento das plantas.

Outro ponto que vem sendo estudado é o controle biológico de pragas. O Bicho Mineiro (Leucoptera Coffeella) é a doença mais disseminada nos cafeeiros do mundo, principalmente nas lavouras de outros países das Américas e da África. Os pesquisadores atuam testando produtos para o combate às pragas e o controle de predadores naturais.

O plantio do café orgânico pode ser feito de duas formas: diretamente sob o sol ou de forma arborizada para reter um pouco as altas temperaturas. Tudo isso dentro dos princípios da agroecologia – ciência que vai orientar as agriculturas alternativas, entre elas a orgânica. A agroecologia prega a diversificação da produção, além da não utilização de agrotóxicos.

“Nós desenvolvemos novas variedades de mudas que servirão para o plantio do café orgânico e do tradicional. Isso não ocorre de forma separada”, explica Waldênia Melo Moura, pesquisadora da Epamig, com mestrado e doutorado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), uma das instituições parceiras em pesquisas cafeeiras no estado.

Influência do clima

Em parte dos estudos desenvolvidos para o cultivo de orgânicos, houve a chamada “pesquisa participativa”, com agricultores familiares inseridos em todo o processo.

A pesquisadora da Epamig destaca exemplos bem-sucedidos com café orgânico em locais como Espera Feliz, Tombos e Araponga (Território da Mata), onde pequenos agricultores conseguiram se organizar e, por meio de cooperativa, iniciar a exportação.

“Praticamente todo o café vai para o mercado internacional. Houve uma significativa melhora na qualidade de vida dos agricultores”, afirma Waldênia.

Ainda assim, a pesquisadora se mostra preocupada com as mudanças climáticas e o consequente aumento das temperaturas e diminuição das chuvas. Devido a essas condições, existem regiões mineiras que vêm se tornando inaptas ao cultivo de café arábica, que exige um clima mais ameno.

Nesse locais, os agricultores começaram a utilizar o café conilon, que se ambienta melhor em lugares mais quentes. Porém, sua qualidade é considerada inferior.

O acesso do produtor de café às informações sobre as pesquisas desenvolvidas ocorre por meio do Dia de Campo, trabalho direto com as comunidades, seminários e publicações feitas pela Epamig em boletins técnicos e no Informe Agropecuário. Também é feita a capacitação dos técnicos da Emater, para que eles levem as informações ao agricultor. Por último, há também a possibilidade do contato direto dos profissionais da Epamig com o produtor.

Certificação

O Certifica Minas Café é considerado fundamental na vida do produtor de café para aumentar a visibilidade nacional e internacional.

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) observa com rigor 103 itens das chamadas “boas práticas”, que vão desde o sistema completo de produção, passando pelas relações de trabalho e questões ambientais.

Com a certificação, iniciada em 2008 em Minas Gerais com 380 propriedades, é possível tornar a cafeicultura mais sustentável. Atualmente, existem 1.642 propriedades certificadas e mais 650 em processo de certificação.

Especificamente para cafés orgânicos, existem diversas certificadoras no Brasil. Para obter mais informações, o produtor interessado pode acessar o site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Rogério Carvalho Fernandes, gerente de Certificação do IMA, explica que a certificação se dá em parceria com a Emater-MG. Para ter sua propriedade certificada, o produtor de café, seja ele orgânico ou convencional, precisa formalizar o compromisso junto ao IMA, que o encaminha para a Emater. Em uma última etapa é feita uma auditoria individual pelo Instituto Mineiro de Agropecuária.

“A propriedade a ser certificada precisa cumprir 100% dos itens obrigatórios e 80% dos itens constantes na norma de certificação. Tendo cumprido isso, o produtor passa a ter o direito a usar o selo na saca do café cru ou na embalagem se o produto for torrado e moído”, explica Rogério.

Após receber a certificação do Certifica Minas Café, a propriedade passa a ser auditada todos os anos pelo IMA.

Fonte: Agência Minas

 

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